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História

A carteira de sócio número 2, o número 1 ficou com José Procópio Ferreira.

23 de Julho de 1947
Um ano antes da fundação da Associação dos Jogadores de Futebol, 15 pessoas se reuniram sob orientação do cronista Aurélio Campos, no auditório da Rádio Difusora Tupi, para determinar a criação de uma entidade que representasse e defendesse os jogadores.
A idéia que saltava das mentes dessas pessoas foi concretizada no dia 23 de julho de 1947, em reunião realizada na sede da Associação Comercial, na Rua Libero Badaró, em São Paulo (SP).

Helio Geraldo Caxambu, um dos maiores goleiros dos anos 40 esteve entre os fundadores e foi escolhido para ser o primeiro presidente da recém criada Associação dos Jogadores de Futebol. Dois anos depois, datada de 11 de outubro de 1949, saiu à carta sindical que elevou a Associação à categoria de Sindicato, Caxambu continuou como presidente por mais três anos contribuindo significativamente para várias conquistas dos jogadores, o que lhe custou grande parte de sua carreira.

Além de criar grandes inimigos, a entidade foi denominada, na época, como partido revolucionário por lutar pelos direitos de uma classe. 'Fui ameaçado pelos clubes de que deveria transformar a entidade em uma Associação, não em Sindicato. Seríamos uma associação beneficente ajudada pela Federação Paulista de Futebol, receberíamos, uma vez por ano, a renda de uma partida de futebol', relembrou Caxambu na festa de aniversário de 50 anos do Sindicato, mostrando-se indignado com a oferta feita pelos dirigentes, que alegavam que os clubes não teriam condições de fazer frente às obrigações posteriores à criação da entidade.

As muitas dificuldades para manter a entidade jamais foram motivos para que o ideal fosse abandonado, certos de que seriam vitoriosos não foram poucas as vezes que Caxambu e José Procópio colocaram dinheiro do próprio bolso para pagar os aluguéis da sede.

Para poder receber as mensalidades dos filiados nomeou-se um representante em cada Clube, ainda assim continuava difícil o recebimento das contribuições. Cansados de cobrar e não receber, Caxambu conseguiu que os clubes descontassem tal contribuição em carteira. O Palmeiras foi o primeiro clube a aceitar e apoiar o acordo e foi dele também que o Sindicato recebeu sua primeira homenagem. No dia da entrega da carta sindical, o Palmeiras ofertou uma flâmula como sinal de apreço ao Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, que então surgia no auditório da rádio Panamericana, na Rua São Bento, na capital paulista.

Uma das principais motivações daqueles que lutavam pela sobrevivência do sindicato era a constatação de que com o surgimento do Sapesp os jogadores passaram a se respeitar mutuamente, em virtude da oportunidade de se aproximarem, longe das duras disputas no campo de jogo, e se conhecerem melhor nas reuniões que aconteciam em todas segundas-feiras. Naqueles tempos, os jogadores de times adversários eram proibidos de baterem papo, porque os torcedores poderiam pensar que estavam combinando jogos.

Os problemas para manter o Sindicato de Atletas atuante sempre foram solucionados com determinação e criatividade, prova disto foi acordo inédito e avançado para a época, firmado em dezembro de 1949, com a empresa Balas Futebol, presidida por Jordão Bruno Sacomani, que mais tarde viria a ser presidente do Palmeiras, que pretendia promover seus confeitos associando-os a uma coleção de figurinhas de jogadores de futebol a serem expostos em álbum próprio. Com a negociação a empresa passou a conceder aos jogadores uma certa quantia por ano, pela utilização do uso de suas imagens.

Já nos primeiros anos de vida o Sapesp mostrou a sua força e sua ideologia de conciliação. Foi quando o então presidente da Federação Paulista de Futebol Roberto Gomes Pedrosa, que com a intenção de medir o poder e a representatividade do Sindicato, testou-o da seguinte maneira: telefonou para Caxambu falando que os jogadores do Jabaquara estavam em greve e que não jogariam na rodada do domingo, caso não recebessem seus devidos salários. Pediu a ele que fosse a Santos resolver o impasse. Caxambu, José Procópio e Hélio Augusto Silveira se reuniram com os jogadores e com a diretoria do Santos e estabeleceram um acordo. Além dos jogadores terem recebido os salários antes do jogo, conseguiram vencer o Atlético Ipiranga.

A partir deste acontecimento Roberto Pedrosa percebeu que o trabalho do Sindicato de Atletas era de cooperação e colaboração, e não de uma entidade para organizar greves e brigar com os clubes.

50 anos depois
Em 1997, quando completou 50 anos, o dia-a-dia do Sapesp não era muito diferente dos seus mais de 18 mil dias anteriores, todos bastante difíceis. Porém mais que comemorar o jubileu de ouro era preciso homenagear Caxambu, o principal responsável pelo nascimento e aquele que fez com que o Sindicato fosse sempre respeitado.

Rinaldo José Martorelli, presidente naquela ocasião, goleiro como Caxambu e também idealista, não mediu esforços para conseguir o apoio financeiro necessário para que a festa fosse realizada. Caxambu recebeu seu troféu e alguns dias depois, aos 78 anos, faleceu.

 

 
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